✦ Alerta em Saúde
Por que o sarampo em São Paulo voltou a preocupar?
Pais e mães acompanham com preocupação o aumento progressivo dos casos de sarampo em São Paulo. Altamente transmissível, a doença pode evoluir com complicações graves, principalmente entre crianças pequenas, gestantes e pessoas com a imunidade comprometida. A principal forma de prevenção é a vacinação com a tríplice viral, mas muitas dúvidas ainda surgem diante do avanço dos casos.
A infectologista Ariane Melare, gerente do SCIRAS (Serviço de Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde do Hospital e Maternidade Sepaco), esclarece essas e outras dúvidas sobre prevenção, sintomas, transmissão e riscos. Confira abaixo as principais orientações:
O sarampo costuma apresentar febre, sintomas gripais (coriza, tosse, conjuntivite), mal estar e exantema (manchas vermelhas na pele), que geralmente começa no rosto e atrás das orelhas e depois se espalha para o tronco e membros. Além disso, o quadro pode ser facilmente confundido com outras viroses na infância, tornando a suspeita precoce essencial para evitar complicações e a transmissão, dependendo sempre de avaliação médica e exames específicos.
A principal forma de prevenção é a vacinação. Ela possui ação individual, protegendo quem é vacinado, e ação coletiva: com a maioria da população imunizada, o vírus deixa de circular, protegendo também quem não pode se vacinar (como gestantes, recém-nascidos e imunodeprimidos).
As principais complicações incluem infecções bacterianas secundárias (otite média, laringotraqueobronquite e pneumonia), diarreia intensa, desidratação e encefalite. Os maiores riscos concentram-se em menores de 5 anos (especialmente bebês de até 1 ano), gestantes, imunocomprometidos e pessoas com deficiência de vitamina A. Uma complicação rara e muito grave é a panencefalite esclerosante subaguda, doença neurológica tardia.
Sim, pode. A primeira dose é fundamental, mas uma parcela das crianças pode não desenvolver imunidade completa com uma aplicação só, por isso a segunda dose é recomendada para maximizar a proteção e reduzir o público suscetível.
A recomendação é procurar uma unidade de saúde para avaliação da situação vacinal. Na ausência de comprovação, a pessoa é tratada como não vacinada e o esquema é atualizado conforme a idade, desde que não haja contraindicação médica.
O sarampo é extremamente transmissível e o contágio começa antes mesmo das manchas vermelhas aparecerem. Ocorre por gotículas respiratórias e aerossóis ao tossir, espirrar ou falar, com o vírus podendo durar horas no ar em locais fechados. Parques ao ar livre oferecem menor risco comparados a ambientes fechados, mas a contaminação depende da presença de alguém infectado.
Não. A infecção costuma gerar imunidade duradoura. Contudo, muitas pessoas confundem o sarampo com outras doenças exantemáticas (com manchas) que tiveram na infância. Na dúvida, a avaliação do histórico de vacinação é indispensável.
A gestante deve checar sua imunização antes da gravidez. Como a tríplice viral é de vírus vivo atenuado, ela é contraindicada durante a gestação. A proteção principal baseia-se na imunização prévia, evitando contato com suspeitos, buscando atendimento imediato em caso de exposição para receber profilaxia e realizando a vacinação após o parto, se necessário.
A vacina utilizada é a tríplice viral (protege contra sarampo, caxumba e rubéola), seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI):
A cidade de São Paulo recomenda atualmente a aplicação da dose zero em todas as crianças de 6 a 11 meses de idade para protegê-las de forma precoce. Vale ressaltar que essa dose extra **não substitui** as doses do calendário regular de rotina.
Considerado eliminado do Brasil em 2016, o sarampo retornou em 2018 devido a fluxos migratórios e à queda nas coberturas vacinais. O país perdeu o selo de eliminação em 2019 e, desde então, enfrenta surtos esporádicos ligados a casos importados. A baixa cobertura vacinal atual mantém latente o risco de uma nova epidemia.