Sarampo em São Paulo — Sepaco

Pais e mães acompanham com preocupação o aumento progressivo dos casos de sarampo em São Paulo. Altamente transmissível, a doença pode evoluir com complicações graves, principalmente entre crianças pequenas, gestantes e pessoas com a imunidade comprometida. A principal forma de prevenção é a vacinação com a tríplice viral, mas muitas dúvidas ainda surgem diante do avanço dos casos.

A infectologista Ariane Melare, gerente do SCIRAS (Serviço de Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde do Hospital e Maternidade Sepaco), esclarece essas e outras dúvidas sobre prevenção, sintomas, transmissão e riscos. Confira abaixo as principais orientações:

Quais são os sintomas do sarampo?

O sarampo costuma apresentar febre, sintomas gripais (coriza, tosse, conjuntivite), mal estar e exantema (manchas vermelhas na pele), que geralmente começa no rosto e atrás das orelhas e depois se espalha para o tronco e membros. Além disso, o quadro pode ser facilmente confundido com outras viroses na infância, tornando a suspeita precoce essencial para evitar complicações e a transmissão, dependendo sempre de avaliação médica e exames específicos.

Como devo me prevenir?

A principal forma de prevenção é a vacinação. Ela possui ação individual, protegendo quem é vacinado, e ação coletiva: com a maioria da população imunizada, o vírus deixa de circular, protegendo também quem não pode se vacinar (como gestantes, recém-nascidos e imunodeprimidos).

Quais são as complicações mais comuns?

As principais complicações incluem infecções bacterianas secundárias (otite média, laringotraqueobronquite e pneumonia), diarreia intensa, desidratação e encefalite. Os maiores riscos concentram-se em menores de 5 anos (especialmente bebês de até 1 ano), gestantes, imunocomprometidos e pessoas com deficiência de vitamina A. Uma complicação rara e muito grave é a panencefalite esclerosante subaguda, doença neurológica tardia.

Meu filho tomou apenas uma dose da vacina. Ele pode ser contaminado?

Sim, pode. A primeira dose é fundamental, mas uma parcela das crianças pode não desenvolver imunidade completa com uma aplicação só, por isso a segunda dose é recomendada para maximizar a proteção e reduzir o público suscetível.

Criança sendo vacinada contra o sarampo

Sou adulto, mas não tenho certeza se recebi a vacina. O que devo fazer?

A recomendação é procurar uma unidade de saúde para avaliação da situação vacinal. Na ausência de comprovação, a pessoa é tratada como não vacinada e o esquema é atualizado conforme a idade, desde que não haja contraindicação médica.

Como ocorre a transmissão? Meu filho pode se contaminar no parquinho?

O sarampo é extremamente transmissível e o contágio começa antes mesmo das manchas vermelhas aparecerem. Ocorre por gotículas respiratórias e aerossóis ao tossir, espirrar ou falar, com o vírus podendo durar horas no ar em locais fechados. Parques ao ar livre oferecem menor risco comparados a ambientes fechados, mas a contaminação depende da presença de alguém infectado.

Já tive sarampo. Posso ter novamente?

Não. A infecção costuma gerar imunidade duradoura. Contudo, muitas pessoas confundem o sarampo com outras doenças exantemáticas (com manchas) que tiveram na infância. Na dúvida, a avaliação do histórico de vacinação é indispensável.

Estou grávida: como me proteger?

A gestante deve checar sua imunização antes da gravidez. Como a tríplice viral é de vírus vivo atenuado, ela é contraindicada durante a gestação. A proteção principal baseia-se na imunização prévia, evitando contato com suspeitos, buscando atendimento imediato em caso de exposição para receber profilaxia e realizando a vacinação após o parto, se necessário.

Esquema de vacinação recomendado

A vacina utilizada é a tríplice viral (protege contra sarampo, caxumba e rubéola), seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI):

  • Crianças: 1ª dose aos 12 meses; 2ª dose aos 15 meses (geralmente com a tetraviral, que inclui varicela).
  • Pessoas de 5 a 29 anos: não vacinadas ou com esquema incompleto devem receber duas doses.
  • Pessoas de 30 a 59 anos: não vacinadas devem receber uma dose.
  • Profissionais de saúde: recomendação de comprovação de duas doses, independentemente da idade.

O que é o esquema dose zero?

A cidade de São Paulo recomenda atualmente a aplicação da dose zero em todas as crianças de 6 a 11 meses de idade para protegê-las de forma precoce. Vale ressaltar que essa dose extra **não substitui** as doses do calendário regular de rotina.

Por que o sarampo voltou?

Considerado eliminado do Brasil em 2016, o sarampo retornou em 2018 devido a fluxos migratórios e à queda nas coberturas vacinais. O país perdeu o selo de eliminação em 2019 e, desde então, enfrenta surtos esporádicos ligados a casos importados. A baixa cobertura vacinal atual mantém latente o risco de uma nova epidemia.